sábado, 5 de junho de 2010

5º dia – Bahía Blanca / Choele Choel

Hoje pelo menos consegui acordar a tempo de pegar o café da manhã com tranquilidade, coloquei uma roupa e desci, eram por volta das 8:30 quando cheguei ao restaurante. Realmente, conforme informado pelo recepcionista do hotel na noite anterior, o café da manhã valeu o valor mais alto da diária, havia de tudo em abundância! Croissants, presunto, queijo, ovos mexidos, cereais, iogurte, docinhos e tudo mais! Aproveitei para forrar o estômago já que havia dormido com fome e teria um longo dia pela frente. Após o café, voltei ao quarto para me preparar para sair, tomei um banho e então pensei na conversa rápida que havia tido com o Diego na frente do hotel, para todos os contatos que ele ligou, não conseguiu encontrar o pneu para a minha moto e sabendo que eu teria que trocá-lo, peguei o notebook e desci para o saguão para usar a Internet. Liguei para a autorizada Suzuki e informei a minha situação, o rapaz que me atendeu disse que iria verificar se eles dispunham do pneu que eu precisava e voltaria a me ligar, passei o telefone do hotel e desliguei. Nesse meio tempo aproveitei para ligar para casa e avisar que estava tudo bem, onde eu estava e a dificuldade que estava tendo para encontrar um pneu, enquanto eu estava falando com a minha mãe, o recepcionista do hotel me informou que havia uma ligação para mim, desliguei e fui atender a ligação. O rapaz da Suzuki disse que tinha um pneu com as medidas que eu queria porém era um modelo diferente do que eu estava procurando, me cobrou o absurdo de $1450 pelo pneu e mais $100 para a colocação, o que totalizava $1550,00, o equivalente a R$750,00, além disso não aceitavam cartões de crédito, somente em dinheiro vivo. Agradeci e disse que entraria em contato se necessário. Nesse momento liguei para a Suzuki de Neuquén, cidade para onde eu estava me dirigindo (o pneu aguentava até lá) e expliquei minha situação, prontamente o rapaz que me atendeu disse que tinha um contato em Bahía Blanca que poderia me ajudar e me passou o endereço dessa loja que se chamava SJ Motos e que eu deveria falar com o Maurício. Voltei ao quarto, guardei tudo, coloquei a “armadura”, fechei a conta no hotel e fui para essa loja. Lá chegando fui atendido pelo Maurício que prontamente começou a ligar para seus contatos e procurar pelo pneu que eu desejava, um Michelin Pilot Road II nas medidas 160/60/17. Após alguns minutos no telefone, me informou onde eu conseguiria, o valor de $1150,00 e ainda aceitavam cartão de crédito! Agradeci muito a ajuda e fui ao encontro dessa loja que tinha o que eu estava procurando.

Quando cheguei na loja de Moto Repuestos, fui atendido por um senhor chamado Gerardo que me atendeu com toda a atenção e já foi me mostrando o pneu, perguntei se eles instalavam e ele respondeu que não mas me indicaria o único lugar da cidade que seria capaz de fazer um serviço de qualidade, entreguei o cartão de crédito a ele e fiquei aguardando, o primeiro cartão deu saldo não disponível (péssimo sinal), entreguei o outro e veio a mensagem de que uma autorização por telefone era necessária (compra internacional de valor elevado é isso mesmo). Resumindo, nesse meio tempo acabei comprando um filtro de óleo original e saí de lá por volta das 13:20. Cheguei até o lugar que me foi indicado para a montagem e balanceamento do pneu e... Fechado! Achei que não abririam mais já que hoje é Sábado, então fui até um posto, abasteci, tomei um refrigerante e só por descargo de consciência resolvi passar de novo pela Gomeria Universitária, continuava fechado. Como não sou de desistir fácil, perguntei em um bar que fica na frente do lugar se eles abriam aos Sábados e fui informado que abririam às 14:00, fiquei esperando até 14:15 e nada! Quando já estava decidido a seguir viagem e trocar o pneu em Neuquén (teria que ficar mais um dia pois chegaria em Neuquén bem após o horário comercial e amanhã é Domingo) vejo que um senhor estava na porta da oficina olhando para o relógio, perguntei se ele estava também aguardando e ele respondeu que sim, que havia falado com o proprietário pelo telefone e que o mesmo já estava abrindo. Mal terminamos de falar e o portão começou a se abrir. Nesse lugar tive mais uma comprovação de que o povo argentino é da melhor qualidade, além de me tratarem com todo respeito e carinho, me cobraram um preço justo pelo serviço e enquanto o mesmo estava sendo feito, me preparam especialmente um café. Pessoas sensacionais e a conversa não poderia ser diferente, riram bastante das minhas histórias das coimas e me passaram diversas informações sobre o trecho que eu enfrentaria até Neuquén.

Saí de Bahía Blanca por volta das 16:30 e dada a hora da saída, era evidente que eu não conseguiria chegar a Neuquén a tempo visto que estas cidades ficam a uma distância de 600Km uma da outra. No trajeto, ficou evidente a mudança de clima e de terreno, quanto mais eu me aproximava de Neuquén, mais árida a paisagem se tornava e mais eu sentia o frio. Como a minha roupa é impermeável, se eu transpirar em algum momento, o suor fica entre a calça e a pele até que eu tire e seque, sendo assim, como eu havia transpirado muito durante o dia correndo atrás dos pneus e depois com a instalação, eu estava sentindo muito frio nas pernas que estavam húmidas e o frio já estava bem forte. Cheguei até um povoado chamado Choele Choel por volta das 20:00 e parei em um posto para abastecer e pedir informações sobre algum hotel econômico, prontamente fui informado sobre um e assim que terminei de abastecer, fui pra lá. Chegando no hotel, achei o preço salgado para um pequeno hotel de povoado $110,00, então decidi procurar outras opções. Logo ao lado encontrei um outro hotel onde fui atendido por uma senhora muito simpática que me informou o valor de $80,00 pelo pernoite (ambos sem café da manhã), como sou mão de vaca, eu admito, resolvi procurar outras opções mais baratas e o único outro hotel que eu encontrei cobrava o mesmo valor $80,00. Como achei a senhora do hotel muito legal, resolvi ficar com aquele e voltei. Guardei a bandida na garagem, fiz a ficha de entrada e corri para o quarto. Mais uma noite de sono.

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