segunda-feira, 7 de junho de 2010

7º dia – Piedra del Águila / San Carlos de Bariloche

Acordei por volta das 8:00, tomei um banho e fui direto tomar o café, como já havia perdido muito tempo no dia anterior, o que fez com que a viagem atrasasse em um dia, não queria perder nem um minuto para o trajeto final até San Carlos de Bariloche. Durante o café da manhã, conheci a esposa do senhor que me recebeu na noite anterior, o proprietário do Hostal El Ciervo, ela se chamava Maria e era uma mulher muito simpática que me falou sobre muitas das tradições do povo que ali vivia, como de costume, engrenei no papo e perdi mais ou menos mais uma hora.

Após mais uma meia hora recolocando os alforjes e mochila na moto, estou tirando ela da garagem, olhei para a minha direita e sobre as formações rochosas vi uma águia gigante, no mesmo instante perguntei a senhora Maria o que era e ela me falou que essa águia foi colocada ali no ano de 2002 em comemoração aos 200 anos do povoado, que se chamava Piedra del Águila (Pedra da Águia). Não resisti e subi o morro para ver a Águia mais de perto e no caminho a forma rústica do consultório médico me chamou a atenção.

Feito o “reconhecimento” da área, parti com a bandida para o abastecimento e em seguida peguei a estrada para percorrer os 200Km restantes até o meu destino, San Carlos de Bariloche. Após rodar por volta de 100Km comecei a ver os montes nevados e o frio nesse momento era impressionante, além disso, tomei alguns sustos com os deslizes da bandida sobre o gelo que se encontrava sobre a pista. Tive que adotar a prática de parar a cada 50Km para aquecer as mãos agarrando o escapamento da moto pois a dor nos dedos era praticamente insuportável.

Chegando a Bariloche, parei no primeiro posto de combustível decente que encontrei e que contasse com cafeteria, era um Petrobras e ali tomei um bom chocolate quente com croissants para aquecer o corpo, como a loja contava com Internet Wi-Fi, aproveitei para pegar o micro e ligar via Skype para casa e avisar que eu já havia chegado ao meu destino e que tudo estava muito bem. No posto, após reabastecer a bandida, aproveitei para perguntar sobre alguma loja de moto peças, uma vez que já estava mais do que na hora de trocar o óleo da filhota. Agradeci e saí dali com o objetivo de encontrar um hotel e me estabelecer já que ainda era cedo e eu não queria desempenhar essa tarefa à noite, quando o frio é muito forte e andar sem rumo não é uma ideia muito inteligente. Para encontrar um hotel, nada melhor que o centro de informações turísticas da cidade, justo quando saía do posto vi o cartaz e segui as indicações até lá, entrei e especifiquei bem o que eu procurava, um hotel com garagem para a bandida, que tivesse uma cama, um chuveiro e que fosse o mais barato possível, na mesma hora a atendente me passou o nome, Hostal Las Amapolas. Coloquei o endereço no GPS e fui direto para lá, ficava a 3 quadras do centro e era um lugar bem hospitaleiro de frente para o lago Nehuel Huapi, fui atendido por uma senhora de idade simpaticíssima chamada Ana e em seguida apareceu seu marido, um canadense chamado Erick e pra lá de gente fina, me passaram as informações sobre a hospedagem, acertamos valores e já me instalei no quarto. Como eu ainda tinha que trocar o óleo da bandida e já eram por volta das 16:00, não perdi tempo, saí em seguida para o Lubricentro, centro de venda e troca de lubrificantes de veículos da cidade, eles não trocavam óleo de motos mas me emprestaram as ferramentas numa boa, sendo assim, comprei óleo ali mesmo e fui trocar por conta própria.

Após a troca de óleo, fui direto para o hotel pois tudo que eu queria era tomar um banho e descansar um pouco, na chegada de volta ao hotel, fiquei um bom tempo conversando com o senhor Erik e durante a conversa perguntei sobre onde ele me recomendaria jantar, deixei claro que procurava algo não turístico e de preço acessível e as recomendações foram de uma Parrilla (Churrascaria), uma casa de massas e um restaurante normal, como sou louco por carne, nem preciso dizer qual escolhi. Subi, tomei um banho, coloquei um roupa normal (até o momento estava vestindo a roupa de cordura para a moto) e saí, quando saí, o frio me mandou de volta para dentro do hotel, olhei o termômetro do lado de fora e ele marcava -8°, coloquei a segunda pele, a roupa de cordura, as luvas e as botas, problema frio resolvido! A churrascaria ficava a uma quadra do hotel, entrei, pedi a recomendação do garçom e juntamente com a indicação da comida veio a do vinho, já conhecia a reputação dos vinhos argentinos e quando vi o preço de $24,00 (R$12,00) mandei vir, quem me conhece sabe que não bebo e fazia muito tempo desde a última vez que havia bebido alguma coisa alcoólica mas aquela situação pedia um vinho. Fiquei nessa de vinho, pão com chimichurri (tempero caseiro comum no Uruguay e Argentina) e vinho até a chegada da comida, onde substituí o pão pela carne mas o vinho continuava, após o término da refeição o vinho continuava existindo na garrafa e como seria um pecado deixar lá e eu sabia que no hotel não iria beber, fiquei sentado bebendo até que o vinho acabasse, quando isso aconteceu fui levantar para ir embora e somente nesse momento me dei conta do meu estado etílico, saí do restaurante para o lado errado e acabei caminhando umas 30 quadras por Bariloche até encontrar o hotel que ficava, como eu havia dito antes, a uma quadra de distância, além disso, quando cheguei o senhor Erik quis conversar e eu quase não conseguia falar, ele se deu conta do meu estado e me deixou seguir para o quarto, acho que dá pra imaginar que não demorou muito para eu estar atirado na cama dormindo.

Nenhum comentário: