Acordei tarde, na verdade cedo mas acabei saindo da cama tarde. ;)
Após uma "mangueirada" na bandida para tirar o excesso de areia da chuva de ontem e reacomodar os alforges mochila e tudo mais, acabei saindo de Rio Grande por volta das 13:30. Abasteci até a borda do tanque e pelas dúvidas enchi também uma garrafa pet de 2 litros já que a última vez que peguei a estrada da reserva do Taim fiquei sem gasolina, não haviam postos de combustível entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar.
Estava maneirando na velocidade para controlar o consumo e chegar sem problemas mas após rodar 120Km, eis que enconro um posto em funcionamento, para mim foi uma alegria já que isso significaria poder enrolar mais o cabo e sair logo daquela estrada chata, para quem não conhece, é uma reta interminável de 240Km. Coloquei o combustível da garrafa e completei o tanque na bomba. Após a abastecida, mantive uma velocidade de cruzeiro de 160Km/h e após algumas pancadas de chuva, comecei a sentir o frio pegando, já estava com o forro térmico da jaqueta mas sentia que aquilo já não era mais suficiente para encarar o restante do trajeto até Montevideo.
Parei em Santa Vitória do Palmar, enchi o tanque novamente e depois parei na aduana no Chuí lado uruguaio para fazer as documentações de entrada no país, revistaram toda a bagagem da moto e aproveitei esse meio tempo para colocar o forro térmico das calças, balaclava e lovas térmicas. A estrada do lado uruguaio é uma maravilha, parece um tapete, então mandei ver.
Continuei mantendo a velocidade de cruzeiro de 170Km/h e depois de 140Km já estava bem cansado, com fome, sede e frio. Quando encontrei um posto com bar, não pensei duas vezes. Era um povoado chamado 19 de Abril e ficava a mais ou menos 20Km da cidade de Rocha, comi duas tortugas (sanduíche com pão de hamburguer) e tomei um café caseiro quentinho que havia acabado se ser passado. Praticamente o povoado inteiro apareceu no bar para olhar a moto e fazer perguntas do tipo quanto ela dava de final, qual a cilindrada, etc e tal, desde que comprei a bandida nunca fui tão popular! :P
O pessoal do povoado pediu para que eu saísse andando forte de lá pois queriam ouvir o ronco, eu como quase não gosto de acelerar, nem perguntei de novo, engatei uma primeira e levantei velocidade até os 230Km/h, obviamente que depois baixei para seguir a viagem mas a estrada estava pedindo velocidade, então subi a velocidade de cruzeiro para 170Km/h. Rodei a essa velocidade por aproximadamente uns 10Km, quando avistei uma lanterna vermelha típica da Policía Caminera me fazendo sinal para encostar, parei a moto ao lado do policial e aí começou o meu sufoco.
Não havia ninguém na estrada além de mim e da polícia, me pegaram com o radar a 158Km/h! Depois dessa me convenci de que eu deveria trabalhar como relações públicas ou área comercial, eles queriam recolher a minha moto para a delagacia e que eu fizesse o pagamento de uma multa de 5800 pesos (aproximandamente R$580,00) e após 40 minutos de conversa me disseram que estava tudo bem e que eu não precisava pagar absolutamente nada, ainda me deram a dica de que eu poderia tocar tranquilo por mais 130Km pois era a área de domínio deles. Depois desse me senti na obrigação de oferecer pelo menos um agrado de 200 pesos para um cafezinho... ;)
Seguindo a dica dos policiais, segui de cabo enrolado por mais 130Km até a cidade de San Carlos, onde abasteci novamente, tomei dois cafés expressos e segui por mais 100Km até Montevideo com velocidade de cruzeiro de 130Km/h. Cheguei na casa do pai às 23:20 e caí podre na cama.
Um comentário:
Ae vagabundo!!!!!
Muito legal... na próxima eu vou junto certo. Manda noticias.
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